A burocracia é a base administrativa das relações sociais, representando a ascensão da racionalidade e da impessoalidade na estruturação das organizações, seja na esfera privada, seja na pública. Nesse sentido, o aparelho burocrático baseia-se no tipo de dominação racional-legal de Max Weber, que define as linhas de autoridade a partir de diretrizes e regulamentos, estabelecidos formalmente por um aparato normativo legal, ou seja, a ordem hierárquica que dita o funcionamento organizacional advém de princípios racionais, a exemplo do mérito e das habilidades individuais. Dessa forma, dotada de caráter funcional, a burocracia é um instrumento importante para a mobilização de meios em prol do alcance de fins, adequando o pessoal – que é controlado e incentivado a manter relações despersonalizadas – e os recursos materiais aos objetivos da organização.
São algumas características do modelo burocrático:
• Teor legal das normas, que são escritas e exaustivas (proporcionam entendimento por completo)
• Divisão hierárquica, com unidade de comando
• Formalidade das comunicações
• Influência nas esferas econômica e política
• Impessoalidade, profissionalismo e especialização
Entretanto, a burocracia, quando interpretada de forma errônea, pode apresentar consequências negativas no que diz respeito à dinâmica administrativa. Um dos principais conceitos que ilustra tal situação é a incapacidade treinada, proposto por Talcott Parsons, que dialoga com o apego excessivo às normas (alto grau de formalismo e papelório) por parte do burocrata, sendo ele incapaz de enxergar além dos regulamentos e de construir percepções individuais sobre o processo, tendo atuação passiva, estritamente fiel às regras. Nesse contexto, o indivíduo pode tornar-se um mero reprodutor de práticas, encontrando-se destituído de posicionamento crítico e, consequentemente, apresentará dificuldade de adaptação às mudanças e na resolução de demandas mais específicas ou que dialoguem com a imprevisibilidade.
Desse modo, para o estabelecimento de uma gestão pública eficiente, é necessário que o gestor assuma postura crítica diante das atividades desenvolvidas, levando em consideração o ambiente, isto é, analisando as interações organizacionais e as especificidades das possíveis áreas de atuação. A burocracia é fundamental para nortear o funcionamento organizacional, uma vez que ela molda a ordenação do trabalho e possibilita a eficiência técnica da corporação, mas ela não deve adquirir significação simbólica de totalidade para os integrantes do corpo administrativo, que precisam pautar-se em uma visão ampla da realidade e da complexidade social.
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Autor: André de Araújo Silva Castro
Estudante de Administração Pública | Fundação João Pinheiro
Assessor de Recursos Humanos da João Pinheiro Jr